Parecer (ou feedback,
ou reaction),
de facto a Avaliação da Sessão Colectiva | 20
Fev.,
a Sessão de
Participação Pública no âmbito do desenvolvimento do Plano Estratégico para a
Cultura de Faro.
Responder a um
formulário (inquérito) de avaliação equivale a aprovar o enquadramento na
conformidade da situação criada, aprovar a estrutura do envolvimento, etc..
Pelo que não constitui uma avaliação livre e independente.
Assim, considerámos
apresentar a nossa avaliação com espírito livre:
Com Liberdade de pensamento
e sua expressão.
I – Nunca, em
mais de meio século de vida adulta e consciente, havíamos assistido a (uma tentativa
de) tão extensa e infantil manipulação em grupo de vontades e mentalidades
individuais. Pois, por claras alusões a universos culturais de concepção
infantil, os participantes foram enquadrados por condutores e fiscais – zagal
e mastim – e, como gado, foram agrupados em função de sugestões toscamente
subtis, como se a crianças fossem dirigidas, sugestões impostas por um vazio
conceptual denominado temas transversais, todavia transversais a
algo (concretamente a um supostamente ignorado pseudo projecto, ou programa)
manifestamente não definido.
II – A metodologia
foi claramente a aplicada em Jardins de infância (onde os participantes
se envolvem na hermenêutica infantil do “processo” que está nos objectivos
conhecidos e bem estabelecidos do “educador”), também habitual nos ditos workshops,
aqueles financiados, para a inovação, para a inteligência, etc.,
também estes constituindo iniciativas de carácter transversal…
III – Os “resultados”
(indefinidos) foram os que já estavam nos objectivos dos promotores, agora
satisfeitos com a criatividade (infantil) dos participantes que se expressaram
muito bem nos seus desejos, sentimentos e opiniões, após diversas
sugestões contribuíram para algo que até agora não estava explícito, e que
deste modo lhes apareceu como que posto a descoberto.
Fazendo-nos lembrar um acto de ilusionismo
bem conhecido destinado aos jardins-de-infância:
Explicando-se às crianças o que
constitui um baralho de cartas, pela sua estrutura, os quatro naipes e as suas
séries de cartas, mostram-se as cartas e baralham-se muito bem, escondendo-se o
baralho muito bem baralhado (no bolso ou na bolsa).
Pergunta-se então às crianças, em
grupo, que nos apresentem uma resposta, e só uma resposta objectiva às Perguntas:
(1) Quantos naipes tem um baralho? Resposta: Quatro. (2) Desses
quatro escolham dois? Resposta: Copas e Paus. (3) Então, os outros dois
são? Resposta: Espadas e Ouros. (4) Pois destes (espadas e ouros)
escolham sete cartas? Resposta: Ás, Rei Dama, Valete, Dez, Nove e Oito. (5)
Muito bem, então dessas sete cartas, escolham agora apenas três?
Resposta: Rei, Dama, Valete. (6) Ora bem, sobra então o Ás, o Dez, Nove e
Oito. Pois, destas que sobraram, escolham duas cartas? Resposta: O Ás e o
Nove. (7) Pois, destas duas, qual a carta que devo retirar do meu bolso (ou
bolsa), e eu vou faze-lo ao vosso desejo ou contra o vosso desejo?
Resposta: Queremos o Ás. (8) Pois há-de ser conforme a vossa vontade, aqui
está o Ás retirado do bolso. (Ou contra a vossa vontade, aqui está o Nove).
Dizendo isto, retira-se do bolso a carta do fundo do baralho, a qual sabíamos
lá estar, pois tínhamos visto e identificado a carta, ao introduzir o baralho
no bolso.
Assim, por artes mágicas, as
crianças escolheram a carta, por elas próprias (por sucessivas sugestões
dissimuladas) a carta ser retirada do bolso pelo educador ilusionista.
Desta forma sucedeu
de facto a Sessão em causa, em 20 de Fevereiro de 2020 no
Clube Farense, em Faro.
– Aproveitámos a oportunidade para o que supomos
provir de falha na tradução do inglês, falha que não ficará bem na promoção de
Faro como cidade de Cultura, pois tem escapado ao crivo de tantos doutores, personalidades,
entidades e agentes culturais envolvidos no Faro2027, por certo por
distracção, pois tem-se imposto de forma sistemática o seguinte texto que o
manifesta:
“A UNESCO define cultura
como o conjunto de características espirituais, materiais, intelectuais e emocionais
da sociedade ou de um grupo social, que engloba não apenas arte e
literatura, mas também estilos de vida, modos de viver juntos, sistemas de
valores, tradições e crenças."
“Considerando que nem
sempre é possível medir essas crenças e valores diretamente, é sim possível
medir comportamentos e práticas associados. Como tal, a UNESCO define cultura
através da identificação e mensuração de comportamentos e práticas
resultante das crenças e valores de uma sociedade ou grupo social."
É evidente que se deve ler: “A
UNESCO define cultura como o conjunto de características espirituais,
materiais, intelectuais e emocionais, que engloba não apenas arte e literatura,
mas também estilos de vida, modos de viver juntos, sistemas de valores,
tradições e crenças da sociedade ou de um grupo social."
Porque as características
espirituais, materiais, intelectuais e emocionais são, ou pertencem,
aos indivíduos e não à Sociedade ou aos grupos. Pois as Ciências Sociais e Humanas
ainda não definiram tais características nas Sociedades ou grupos
sociais. Aliás como a segunda frase transcrita nos permite ler: são também as
crenças e valores sociais que permitem a mensuração de comportamentos
culturais, de uma sociedade, porque as tais características pertencem
aos indivíduos que, em conjunto, partilham os sistemas de valores, tradições e
crenças.
A questão é importante porque se
presta às confusões sobre o que é a Cultura de uma Sociedade, induzindo neste
universo características pseudo emocionais e espirituais inimagináveis (ou
forçadamente sugeridas) em grupos sociais. Certamente que se haverá de
encontrar personalidades do jet set, algumas delas galardoadas com as
condecorações do Estado pela sua intervenção na formação cultural deste povo,
como o Júlio Isidro. Porque não o Goucha, o Fernando Mendes, a Júlia Pinheiro,
a Joana Vasconcelos, o Ronaldo, o Cabrita Reis, o Jorge Jesus, etc., que darão
grande destaque a Faro2027.
Faro, 29 de Fevereiro de 2020
Noémio Ramos